terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A maior carência humana




Você já parou para questionar sobre quanto do seu tempo dedicou nas últimas 24 horas àqueles que ama? E na última semana? No último mês? Ou talvez ano? Perceba caro leitor, com certeza você dispõe de um espaço considerável do seu coração para essas “criaturas especiais”. A pergunta é: Por que, apesar de amá-los, tão pouco é demonstrado?
Nos últimos 15 anos de minha existência, tenho dedicado muito do meu tempo para observar, estudar e pesquisar sobre o comportamento humano em todas as suas facetas. E uma das questões humanas que mais me intriga é o fato de que mesmo pessoas que declaram AMAR VERDADEIRAMENTE seus entes queridos, via de regra pouco demonstram, ouvem, entregam afeto para esses seres amados. E porque isto se repete com tanta freqüência em inúmeras famílias e relações? A resposta é complexa e fascinante ao mesmo tempo, se não vejamos.
Um dos elementos que mais atuam como justificativa para as pessoas cercearem quem amam de suas respectivas atenções é o TEMPO, ou melhor, a falta dele. Normalmente, quando questionados sobre porque acham que fazem tão pouco em demonstrações de afeto e carinho por aqueles que amam, homens e mulheres, de todas as idades, credos, classes sociais, etnias, religiões, atribuem culpa ao fato de que na vida moderna não há tempo para mais nada. Contudo, esquecem-se que tempo é um modelo totalmente subjetivo, inventado pelo próprio homem para compreender sua localização no universo. Para natureza, tempo não existe. Além do mais, na percepção humana, sempre arranjamos tempo para aquilo que colocamos como prioridade em nossas vidas. Portanto, essa não é uma desculpa válida. Na verdade, subjacente ao fator tempo, existe outro, talvez mais verdadeiro, que chamo de: “Sucumbência à rotina”. O que isto significa? As pessoas, como mamíferos que são, tratam-se de criaturas emocionais, ou seja, animais que têm sentimentos. Evidentemente que todos gostamos de receber afeto, atenção, carinho, contudo, quando o assunto é distribuí-los aos outros, nos deixamos levar pela acomodação do dia-a-dia, acreditando piamente que podemos deixar pra depois. Todos sabemos que a mais contundente das leis da natureza é: “primeiro dar, para depois receber”, porém apenas esperamos receber sem tomarmos as devidas iniciativas para dar. E porque isto ocorre? Resposta: sucumbinos à rotina, nos acomodamos... E quando estes fenômenos surgem num relacionamento, aos poucos a relação vai necrosando até chegar ao ponto da morte inevitável. Durante esta jornada uma série de fenômenos ocorrem: brigas e discussões, cobranças excessivas e, o pior deles, a indiferença. Nos esquecemos que o sentimento é como uma frágil e delicada flor. Somente sobreviverá se for regada todos os dias com carinho e atenção. Todavia, regar a flor dos sentimentos que acalentamos por nossos semelhantes exige iniciativa, atitude diferenciada, rompimento com os “status quo”. E somente pessoas verdadeiramente ousadas conseguem essa façanha.

“Cada homem deve decidir se deseja caminhar na luz do altruísmo criativo ou na escuridão do egoísmo destrutivo. A mais urgente e persistente questão da vida é: O que você está fazendo pelos outros?”
Martin Luther King Jr.

Então, a questão definitiva é: O que você tem feito pelos outros? E quando digo outros, estou me referindo especialmente a aqueles que você diz AMAR... Esposa, marido, filhos, irmãos, pais, etc.

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